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domingo, 18 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

QUERIDOS AMIGOS!

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo
Joyeux Noël et Bonne Année
Feliz Navidad y un Feliz Año Nuevo
Buon Natale e un Felice Anno Nuovo
Merry Christmas and a Happy New Year!
С Рождеством и Новым Годом!
Frohe Weihnachten und ein gutes Neues Jahr!

O ano está acabando e, mais uma vez, quero agradecer áqueles que participaram conosco de alguma atividade nossa durante o ano.

Em uma avaliação simples, esse ano foi muito melhor do que eu esperava. Certamente o segundo semestre superou minhas expectativas quanto aos cursos e atividades. 

Outro dia, conversando com o Alex Koike, editor da revista Pesca e Cia, fizemos uma avaliação bastante positiva sobre so avanços do fly no Brasil. Ainda que estejamos caminhando de forma lenta em diversos aspectos, estamos caminhando e evoluindo. E isso já basta. 

Ano que vem, mais precisamente em fevereiro, a FLY CAST comemorará 10 ANOS!

De lá pra cá, muita coisa mudou. Hoje as informações são mais fáceis e mais rápidas. As técnicas de pesca (com mosca) vem sofrendo algumas alterações fortes, os equipamentos evoluiram bastante e tudo parece que está mais acessível. 

Ainda sofremos (aqui no Brasil) com a falta de suporte por parte do segmento, que insiste em manter a pesca com mosca em um patamar abaixo do que realmente ela representa. 

O descaso dos nossos governos com políticas ambientais sérias e voltadas para um turismo sustentável, especialmente na pesca, é preocupante. Nada está sendo feito concretamente para que esse quadro de abandono e destruição mude. Aliás, só tem piorado.... acho que cabe uma reflexão sobre isso, da parte de todos nós envolvidos com esse esporte, seja na qualidade de pescador, ou como atividade profissional. 

Mas fica aqui registrado uma dica: 2012 será o ano da pesca com mosca no Brasil. Aqueles que apostarem nisso agora, vão se dar bem!!!


A partir de amanhã faremos uma pausa nas atividades.

Afinal de contas, precisamos reabastecer as energias e estar mais próximo de nossos familiares.

Voltaremos lá pelo dia 5 de janeiro... Se a pesca estiver fraca..!

E nosso DVD tá pronto!!! Só está faltando a capa sair da gráfica!

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Outra dica: Aqueles que quiserem comprar um equipamento bem razoável e com um custo baixo (algo em torno de R$200,00) a Sugói está trazendo umas varas novas da China bem interessantes.

Obviamente que não são equipamentos top, mas já da pra começar com um equipamento que cumpre suas necessidades de forma satisfatória.

Tive a oportunidade de testar isso no último curso e acho que é uma boa opção para quem não quer investir muito.

Não me perguntem o nome das varas que eu não lembro... Mas quem tiver interesse em conhecer, basta passar nas lojas da Sugói que elas já estão disponíveis.

Ressalva: os passadores da # 6 e # 8 são iguais.

Se eu tivesse que comprar as duas, a primeira coisa que faria era trocar e aumentar os passadores da 8.  A Ação das varas é moderada rápida.
 
O jabá é gratuito.. não estou ganhando absolutamente nada por isso!

Outra coisa:

Ontem, fui visitar o Zé Luis, da ZPESCA - http://zpesca.blogspot.com/. Achei uns materiais de atado bem legais com excelente preço. Aqueles que ainda não conhecem o Zé, vale a pena visitar não só o Blog como a loja física! Abração pra você, Zé!    

ZPesca - visite o Blog!
     
No mais, vou ficando por aqui, desejando a todos: 

* FELIZ NATAL REPLETO DE ALEGRIAS.

* MUITA SÁUDE, PAZ (principalmente nas estradas!)  e TRANQUILIDADE. SE BEBER, NÃO DIRIJA!

* QUE 2012 SEJA REALMENTE O ANO DA PESCA COM MOSCA NO BRASIL. E QUE TODOS NÓS TENHAMOS UM 2012 AINDA MELHOR DO QUE FOI 2011.
  
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FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mitos e Verdades na Pesca com Mosca!



Caros amigos.

O título acima é comercialmente apelativo e malicioso. Ajuda e ajudou, sempre, a vender. Toda vez que alguém coloca a expressão "Mitos e Verdades" sobre alguma coisa, inevitávelmente, isso desperta o interesse do leitor.

Na pesca com mosca isso não é, não foi e não será diferente. Sempre haverá alguém para "DESMITIFICAR" alguma coisa.

Mas é preciso tomar cuidado com isso.

Mito, segundo o dicionário, é igual a  fábula. Entre as suas definições, destaco duas: "idéia falsa, sem correspondente na realidade" e "coisa inacreditável, fantasiosa, irreal, utopia".

Também é comum lermos a expressão "Místico". A definição aqui passa pelo "ato de burlar, enganar".

Numa análise bastante simples, mito e místico se confundem. Há o engano e a idéia falsa.

E se há o mito e o místico, sempre haverá o contraponto. O desmitificador, o desmistificador - O MESSIAS. Aquele que detém o poder, o conhecimo - a LUZ!  

Mas o fly não tem nada de fantasioso, de irreal, de coisa inacreditável ou intangível. A pesca com mosca é muito simples, real e concreta. Portanto, se não há mito não há a necessidade de DESMISTIFICAÇÃO.

Por outro lado, o flyfishing pode apresentar, em alguns momentos, aspectos bastante tradicionais.      



De fato, a pesca com mosca talvez seja a modalidade mais tradicional da pesca esportiva. Ou, pelo menos,  uma das mais. Entretanto, a grande evolução e desenvolvimento ocorridos em relação aos equipamentos que podem ser utilizados na modalidade não impediram que muitos pescadores permanecessem fiéis à maneira antiga de realizar a pesca. 

A má notícia em relação a isso, é que as técnicas sugeridas e praticadas há anos se transformaram em mitos que, hoje, acabam por bloquear a evolução dos pescadores e  podem comprometer até mesmo o sucesso da pesca com mosca. Ou seja, aquilo que era tradição passou a fantasioso, inatíngivel.
   
Com base na observação realizada durante nossos cursos e por meio de discussões a respeito de diversos itens e assuntos, selecionei alguns tópicos comuns, recorrentes e frequentes que podem ser repensados pelos pescadores nos dias de hoje, independentemente de quão tradicionais eles sejam. 

A proposta é apenas de fomentar questinamentos. Para me socorrer e encontrar algumas soluções para estas questões, busquei, principalmente, na literatura estrangeira oferecida pelos grandes mestres, a argumentação necessária que justifique este posicionamento. Afinal de contas, não sou o Messias.

De qualquer maneira, esses exemplos servem ainda para que possamos analisar quais os erros mais frequentes na prática da modalidade. Quero deixar claro, sendo repetitivo, que não tenho a menor pretensão de dar uma solução única e fechada, até porque a pesca com mosca é muito mais ampla. Que sirva apenas para que os pescadores pensem, reflitam e possam discutir e debater sobre os temas.

 Vários tópicos já foram debatidos em muitos foruns de pesca, alguns a exaustão. Mas sempre tem aquele pescador que não frequenta forum ou que está iniciando na modalidade e ainda não refletiu sobre determindado tema.

Vamos aos tópicos.

1) Tippet - "Sempre devo usar tippets, o mais fino possível".

Por definição, tippet é a ponteira do lider - "tip = ponta". É onde ato a mosca para pescar.   

Muitos pescadores acreditam que para ser esportivo é preciso usar equipamento bem leve. Já pudemos observar pescadores brigando com peixes de médio porte usando um tippet bem fino e com receio de colocar pressão no peixe. Depois de uma longa briga, o peixe é embarcado e solto em seguida, mas acaba morrendo. Acredito que se deva embarcar o peixe o mais rápido possível e soltá-lo nas melhores condições, a não ser que se pretenda comê-lo.




Lefty Kreh, pescador americano e um instrutores mais respeitados no mundo, argumenta que qualquer peixe de água salgada que brigue por muito tempo acaba criando ácido lático em seus músculos. Quando liberado, ele pode parecer cansado mas em boas condições. Entretanto o ácido lático acumulado é capaz de levá-lo a morte e obviamente isso deixa de ser esportivo.
  
A argumentação é perfeita, entretanto, a questão importante aqui é saber o quão fino deve ser o tippet para que não se perca a esportividade.

Entendo que devemos adequar a resistência do tippet a mosca a ser usada, facilitando a briga com o peixe e oferecendo alguma chance para que ele retome à natureza nas melhores condições possíveis.


Esta adequação não é tão fácil, principalmente nos casos e que se necessite o uso de iscas pequenas para a pesca de peixes de médio/grande porte. Como manter o bom trabalho de pequenas iscas com um tippet muito grosso? Haverá sempre algum prejuizo, seja na apresentação da mosca ou no seu nado ou dslocamento na água, que poderá ficar comprometido. Por outro lado, se coloco um tippet fino (ainda que adequado ao tamanho da mosca), posso comprometer a saúde do peixe, conforme a argumentação acima.

O grande amigo Nelson Borges Filho, exímio mosqueiro e aficcionado pela pesca das grandes trutas marrons da região do Rio Grande, Tierra del Fuego, na Argentina já nos falou do grande desafio que é pescar peixes entre 3 a 7 kilos de média de peso com tippet fino e mosca pequena. Algo em torno de 4x ou 3x e ninfas atadas em anzol 16 ou até 18! O problema não está tanto em fisgar um peixe nestas condições, mas sim conseguir tira-lo sem o comprometimento da saúde dele. Esse é apenas um exemplo, que ilustra bem essa situação.


Se você tem algum outro exemplo semelhante, coloque um cometário sobre isso. Talvez ajude outros pescadores a entender melhor estas situações de pesca.

2) A carretilha no flyfishing é um item secundário.

Este é uma outra idéia que não é correta.

A primeira função da carretilha de fly é armazenar de forma eficiente parte da linha que não está sendo usada e ajudar na luta com o peixe.

Um dos argumentos para que se considere a carretilha um item secundário é o fato de que na pesca com mosca o pescador, geralmente, recolhe a linha com as mãos durante a briga com um peixe e somente utiliza a carretilha para guardar o excesso de linha, em um segundo momento.

Esta "crença" surgiu há muito tempo e é proveniente da pesca de trutas pequenas em córregos ou águas rasas.
    

As carretilhas têm outras funções importantes. Uma delas é oferecer equilíbrio ao conjunto. Se a carretilha fosse de fato um item secundário, qualquer uma serviria e de qualquer tamanho poderia ser usada. Mas isso, como sabemos, de alguma forma acabaria por comprometer o balanceamento do conjunto, inclusive prejudicando a execução dos arremessos.

Carretilhas muito leves, abaixo do peso indicado para determinado número de vara ou muito pesadas, exigem do pescador uma compensação na execução dos arremessos para que este seja equilibrado e eficiente, gerando um desgaste físico maior e desnecessário.

Um exemplo bastante simples: coloque uma carretilha desenhada para uma vara número 10 em uma vara número 4 ou uma carretilha desenhada vara uma vara # 2, em uma vara 8. Tente executar arremessos nessas condiçoes e veja o que acontece.
   
Outro fator que justifica a importância da carretilha para a pesca com mosca é o fato de algumas empresas serem especializadas nesse tipo de produto e, se as carretilhas não tivessem importância para a pesca com mosca, por que elas investiriam tanto no equipamento? Ou ainda: por que será que existem tantas marcas e modelos diferentes de carretilhas?         

Aqueles que justificam que as carretilhas de fly são itens secundários partem sempre da comparação com as carretilhas de bait casting ou molinetes, por exemplo, onde a carretilha é utilizada para lançar a isca. Quanto melhor ela for, melhor será o desempenho do arremesso. Enquanto que na pesca com mosca, a carretilha não é usada para lançar a mosca.

Esse tipo de comparação perde totalmente sua força, na medida em que o pescador entenda que as modalidades - fly e bait - não podem ser comparadas pelo fato de serem coisas completamente opostas em termos de arremessos.

No fly não se usa a carretilha para arremessar, no mesmo sentido que se usa no bait casting. Só esse fato já é argumento suficiente para evitar a comparação.    

A comparação mais adequada seria entre a importância da carretilha na pesca de peixes grandes e peixes pequenos. Aí sim faz algum sentido a comparação.

Para pescarias de peixes grandes a carretilha tem vital importância. Dependendo da situação e das condições de pesca, ela deve comportar uma grande quantidade de backing line (linha de reserva).

Na pesca de peixes de mar, muitas vezes eles tomam muito mais de 100 metros de backing.


A maior razão para se usar o backing em uma carretilha é permitir que o peixe faça longas corridas, mais longas que a própria linha de fly. Nas palavras de Lefty Kreh o backing "é a conexão entre você e o peixe" e ele merece sua atenção.


Ora, fica claro que o backing é importante para a pesca dos "grandes corredores" - bonefishes, tarpons, bluefishes, só para citar algumas espécies. E para armazená-lo, o pescador necessita de uma carretilha adequada. 

Em outras situações, a carretilha deve ter um bom freio para impedir os primeiros arranques dos peixes. Os grandes tucunarés da Amazônia, por exemplo, não tomam grande quantidade de linha, mas a carretilha deve ter uma fricção bem ajustada para poder frear as primeiras tentativas dos peixes de buscar as estruturas.          

Outro detalhe fundamental é que a carretilha deve liberar a linha sempre de forma macia e em perfeito estado. Um freio que permita a saída da linha em trancos pode aumentar a chance de que o tippet se rompa, especialmente os mais finos. 


A melhor solução ao pescador é verificar qual a sua necessidade na hora de escolher a sua carretilha. Isto depende do tipo de pescaria que se pretende realizar com mais frequência, do tipo de peixe e o tipo de ambiente. É bom lembrar, especialmente aqui no Brasil, que as carretilhas plásticas não suportam grandes temperaturas.   

3) Líder - "Os líderes devem ter o butt mais duro do que as seções posteriores".

Quando o pescador executa o aremesso para a frente em direção ao alvo, a linha de fly que está atrás de desenrola na mesma direção.

Quando toda a linha se desenrolar, o líder deve fazer o mesmo e acompanhar a linha de fly até que todo o conjunto fique completamente estendido.

Se a linha de fly está se desenrolando e chega à altura de um butt duro (Butt é a primeira seção de um líder cônico, afunilado, a parte mais grossa), este monofilamento mais duro resistes ao desenrolar e não dará uma boa apresentação da mosca.
 
Um Butt mais flexível continuará a desenrolar melhor. Um bom exemplo disso são os líderes torcidos que são muito mais maleáveis.

Pescadores que se consideram mal arremessadores e que têm dificuladade em arremessar um líder de monofilamento convencional (geralmente o arremesso apresenta algum tipo de colapso no final) não terá probemas em desenrolar um líder trançado.

Obviamente, nenhum monofilamento que seja muito duro ou muito flexível é ideal para montagem do líder. É importante não confundir a parte mais grossa do líder com parte dura. O butt é mais grosso mas não necessariamente tem que ser mais duro que as demais seções.

A escolha do material para a montagem do líder é fator importante para que o resultado do arremesso seja o melhor possível. Essa diferença é mais perceptível na pesca de peixes "mais exigentes" na apresentação da mosca.        
    
Mas independente da linha a ser usada na montagem do líder, na maioria das vezes, o melhor é que tanto o butt quanto as seções intermediárias e ponteira do líder sejam feitas com monofilamentos de mesma flexibilidade ou maleabilidade em expessuras diferentes. Uma boa dica é utilizar a mesma marca dos carretéis de linha.

Já nos líderes cônicos fabricados e sem nós esse problema fica minimizado. As grandes empresas especializadas em líderes têm oferecido modelos mais específicos para cada tipo de pescaria e tipo de peixes. O problema é o preço e encontrar essa variedade no mercado brasileiro!

4) "Pescar de manhã ou no final do dia é sempre melhor".

Quando so níveis de luminosidade estão baixos (de manhã e no final da tarde) a pesca é GERALMENTE melhor. Outros fatores,entretanto, podem alterar essa situação.

Em dias com céu nublado ou em dias chuvosos (situações em que o nível de luz está baixo) a pesca pode ser muitomelhor no meio do dia.

É importante lembrar que os peixes não tem pálpebras e nos dias muito claros a pesca no fundo é mais eficiente - os peixes tendem a se deslocar a locais mais fundos em dias muito claros e retornam a locais mais rasos a medida que a lumnosidade diminui.

Alguns autores argumentam, especiamente na pesca de trutas, que existem algumas revoadas de insetos que ocorrem no meio do dia, o que pode incitar os peixes a buscar o alimento. Há outros peixes, que por característica própria da espécie ficam mais ativos ao meio-dia.

Os robalos no mangue, por exemplo, apresentam maior atividade durante as mudanças de movimentação de maré, independentemente do horário que isso ocorra e da quantidade e luminosidade existente. 

Portanto, não leve em consideração apenas o fator luminosidade. Tenha atenção a outros aspectos da natureza. 


5) Pesca com  Bugs - "Na pesca com poppers e divers, deixe as iscas imóveis por grandes períodos".


Na maioria das vezes quando estiver pescando em água salgada ou em rios mantenha os poppers, divers em constante movimento. Criaturas que caem na superfície da água parecem saber que os peixes predadores irão come-las rapidamente. Um movimento constante cria a ilusão de que o popper,diver ou outro bug qualquer está tentando escapar o mais rápido possível. 

Talvez a exceção seja a pesca do black bass em águas paradas como explica outro renomado pescador americano, Dave Whitlock, especialista na pesca dessa espécie nos EUA.
Assim como a maioria das espécies de peixes de água salgada, o nosso tucunaré prefere atacar alvos que se movam rapidamente ( não que isso seja uma regra absoluta, mas que ocore com grande frequência) e perdem o interesse em qualquer coisa que deixe de se movimentar.


É bom lembrar que qualquer coisa que se mova com dificuldade  na Amazônia há muito tempo já foi extinta!



As espécies de alimento que sobrevivem lá tem que ter a velocidade de um relâmpago e habilidade de escapar dos predadores.
            
Um recolhimento rápido e inconstante pode simular uma presa apavorada. Alterar o trabalho das moscas é outro fator que facilita a pesa dos grandes predadores.

6) Linha de Fly - "Mudar para linha mais pesada facilita o arremesso".

Essa é uma questão que sempre aparece nos cursos e que gera muita discussão.

Entendo isso como sendo uma meia-verdade.

Para justificar o posicinamento, me socorro novamente da argumentação do mestre Lefty Kreh. 

"Se você estiver arremessando a curtas distâncias, especialmente em dias de vento uma linha de fly com um número superior ao número da vara irá permitir que voce vergue melhor a vara apresente a mosca com melhor qualidade. Mas se você tem que arremessar a longa distância, na mesma situação de vento faça o inverso, mude a linha para um número menor.

Um bom exemplo: longos arremessos são necessários para alcançar o peixe, caso esteja ventando muito. Se você usar uma vara número 8, mude para uma linha número 7 e faça arremessos falsos (false cast)  com 12 metros de linha. Com esse comprimento de linha você poderá envergar a vara corretamente e fará loops estreitos em uma maior distância. Se você alterar para uma linha mais pesada, você fará com que a vara vergue ainda mais e com isso seu loop estará mais aberto e sua mosca não irá muito longe quando estiver ventando, devido a resistência do ar." 

A questão acima parece ser simples de ser solucionada quando temos um Lefty Kreh arremessando ou qualquer outro grande nome da pesca. Mas, para o simples mortal isso é bastante complexo.

Primeiro, é preciso ter um bom domínio sobre o equipamento em qualquer situação de pesca. A esmagadora maioria dos pescadores brasileiros ainda não tem esse domínio. Falo baseado em dados reais e concretos. Boa parte está em um estágio de básico para intermediário.

Dominar o equipamento significa arremessar da melhor maneira possível nas piores condições de tempo e vento, entre outras coisas. Usar moscas grandes e volumosas a longas distâncias; ter precisão no arremesso, saber controlar a velocidade da linha no ar, saber mudar de direção ou saber abrir ou fechar um loop quando for necessário. Isso só para citar alguns exemplos.


Alterar o peso da linha, principalmente para cima, pode facilitar o arremesso, no sentido de que a carga da vara fica mais evidente. Ou seja, com uma quantidade de linha menor, consegue-se a carga. 

Obviamente que isso não garante ao pescador uma distância maior em seu arremesso, conforme vimos acima no exemplo citado pelo mestre. 

Segundo, com o avanço da tecnologia no desenvolvimento das varas de fly e, principamente, nas linhas, essas modificações  de pesos passam a ficar desnecessárias. Hoje existem muito mais modelos de linhas, com perfís e desenhos de cabeça (no caso das específico das WFs) muito mais especilizados para cada tipo de pescaria, disponíveis no mercado. Mas o pescador comum não tem condições de conhecer e dominar todas, infelizmente, já que cada linha pode apresentar um pequeno diferencial que gere algum tipo de ganho ou perda em determinada situação. As varas de dupla numeração vem ganhando alguma força e evoluiram muito nos últimos tempos justamente para estarem adequadas as novas linhas, também.  Todas essas mudanças em termos de equipamentos obrigam o pescador a estar cada vez mais atento ao seu repertório de técnicas de pesca, procurando evoluir e adequar os equipamentos às suas necessidades e pescarias.  

Ou seja, nada disso tem serventia, se a "peça" que comanda o equipamento não for competente. Isso derruba qualquer discussão teórica.  

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Mudando de assunto.

A notícia não nova mas vale aqui o registro.

Foi publicada na revista ISTO É DINHEIRO RURAL (clic ao lado para acessar) uma matéria sobre a pesca com mosca, de autoria da jornalista LÍVIA ANDRADE. Lá, alguns amigos, que por coincidência fazem parte da nossa listinha de indicações aqui do blog, contam sobre seu envolvimento com a modalidade. O destaque fica para o JOZA, LICOLN, MORELLI e sua filha VANESSA, da FLY e CIA.

A Fly Cast só tem a parabenizar os amigos e torcer para que outras revistas vejam a pesca com mosca da mesma forma que a ISTO É tem feito.

Não é a primeira vez que a ISTO É publica uma matéria sobre a pesca com mosca. Mas é a primeira vez que ela aborda o tema mostrando o potencial da modalidade.

Por mais simples que seja a matéria, é muito melhor que muitas matérias já publicadas em revistas "especializadas", mostrando ao público em geral a importância da pesca com mosca como atividade rentável.

Destaco do texto publicado: "Segundo dados do Ministério da Aquicultura e Pesca, esse tipo de modalidade tem tudo para ser uma das coqueluches do turismo rural moderno".  

Acho que não precisa dizer muito mais coisas sobre isso.

Novamente: Parabéns aos amigos e em especial à Livia pelo texto.

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Finalmente o ano começou!

Mas até quando? Vem aí a Copa do Mundo, depois tem eleição pra Presidente... (haja saco pra aguentar propaganda política na TV).

Estaremos publicando até dia 1º de março nosso calendário de atividades com algumas boas surpresas.

Aguardem e até a próxima!  

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* Crédito das fotos: JOHANES F. DUARTE; RUY VARELLA; JOÃO EMILIO, ZACK MATTHEWS (Itinerant Angler), AVALON CUBA, Jurassic Lake e Arquivo FLY CAST.
** A matéria acima foi parcialmente publicada na Revista Pesca e Cia - ed. 127 - de 2005, sob o título: Pesca com mosca - 7 grandes verdades e mitos. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MENSAGEM DE FINAL DE ANO - EDITORIAL

Em nome da equipe da FLY CAST desejo a todos um FELIZ NATAL e um Excelente FELIZ ANO NOVO.

Que 2010 seja muito melhor que 2009. Especialmente para quem gosta da pesca com mosca.

Que os FORMADORES DE OPINIÃO pensem o fly com menos amadorismo. Tá passando da hora de termos uma Pesca com Mosca no Brasil mais decente. Menos "OBA OBA" e mais ação. Mais informação de qualidade e menos "cultura inutil".

E 2009 foi legal.

Algumas coisas bacanas aconteceram para ajudar o fly se desenvolver: FLY e CIA, FLY MAGAZINE, FLY SHOP BRASIL.

Outras, entretanto, estão estagnadas e sem perspectivas de melhora: TODAS AS REVISTAS "ESPECIALIZADAS" DE PESCA, que mantem a mediocridade e mesmice. Eu, particularmente, cansei dessa papagaida toda. O Fly nessas revistas só tem servido para fomentar a vaidade de alguns que fazem quase tudo pra aparecer. Ridículo.

O TRADE SHOW da PESCA E CIA, em termos de pesca com mosca foi absolutamente MEDÍOCRE. A Summax apresentou uns equipamentinhos bem meia boca .Uma outra empresa que nem me lembro o nome trouxe umas coisas da OKUMA e ponto final. E há quem diga que a tralha da Summax é excelente (não é mesmo, KID??).

Televisão: Num dá nem pra comentar. Nem na internet tem programa de pesca descente.

Ficamos devendo nosso DVD. Não conseguimos finalizar (ainda) todo trabalho que estamos desenvolvendo. Faltou verba e tempo... Coisas de gente inexperiente. Mas ano que vem lançamos a bagaça e espero que tenha a qualidade que estamos buscando.

Com relação aos nossos cursos: Ficamos abaixo da nossa meta.

Foram realizados 14 cursos no decorrer do ano, queríamos atingir 20. Muita chuva, pouca gente interessada.

Confesso que na metade do ano pensei em parar tudo por falta de tesão mesmo... e de ver tanta babaquice acontecendo. E olha que  mantemos os mesmos valores dos cursos há mais de quatro anos, não ajustamos um centavo se quer nesse tempo. E vamos manter os mesmos valores pro ano que vem.

E TEM GENTE QUERENDO FAZER DUMPING em CURSO DE FLY. SOMOS NÓS QUE FAZEMOS DUMPING. Desculpa aí !!!

Nosso turismo anda de mal a pior... E há quem diga que esse ano na Amazônia está um espetáculo... Com a seca que tá fazendo por lá (fruto da imbecilidade humana), está fácil pescar.

Os peixes estão desesperados... lutando pra sobreviver... Isso não é pescaria.

Se alguém acha exagero isso, me aponte 10 destinos de pesca no Brasil que tenha: qualidade de serviço, boa pescaria, proximidade dos grande centros e preços acessíveis. 10 é muito, então aponte 5. Se encontrar um, me dou por satisfeito. UM que seja para FLY!        

A falta de ética é outro fator que vem marcando cada vez mais nosso segmento. Infelizmente. Os "picaretations" estão cada vez mais ativos... Mas um dia a casa cai. Oxalá isso aconteça logo. XÔ PICARETAGEM!

Mas o ano foi legal.

O Flamengo foi campeão num campeonato disputadíssimo pra sorte do meu amigo BULHÃO. O Palmeiras não foi pra libertadores. O tricolor do morumbi manteve-se como melhor paulista no Brasileirão, O Ronaldo Gorducho ainda não catou nenhum travéco, O Internacional teve que torcer pro Grêmio.  Coisa de gaúcho...

Vai entender essa galera.

E por falar nisso, São Paulo (a cidade) teve ontem 63 pontos de alagamento. No ano todo, o Palmeiras no Brasileirão teve 62. Ou seja, Com os 63 pontos de alagamento São Paulo, só ontem, já estaria classificada para a Libertadores. (Piadinha da internet...)

Espero realmente que a galera que foi lá pra  Copenhagen Climate Conference  faça alguma coisa pelo clima do planeta. Senão... "adios pescarias".

Bom... vou ficando por aqui. Amanhã entro oficialmente de férias. Vou pro Caribe e EUA. Vou pescar, ver o Mickey e o Pato Donald, comer pra carai e encher a cara. Se sobrar uns trocos, dou uma passada na Bass Pro pra abastecer o armário. 



Meu desejo pra 2010 é que possamos realmente ter uma pesca com mosca melhor, mais séria e ética, porém,  menos careta e autoritária, como insistem alguns e sem "invenções" mirabolantes tipo fly-dive ou pinchos de 50 metros. Que tenhamos tralha boa e barata a disposição de todos. E que o Papai Noel seja generoso com todo mundo.

Vou dar um tempo nos Blogs e o site deve migrar pra outro servidor. Nossos e-mails, por enquanto, estão uma merda, uma hora funciona outra hora não... sinto muito por isso. Voltaremos com a corda toda em 10 de janeiro de 2010.

Quem quiser, me acha no celular.




Abração a todos,

Marcão.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

FLOAT TUBE - REVISANDO O TEMA

Há alguns anos escrevi no site PESCA COM MOSCA o texto FLOAT TUBE - mais sutil e mais perto dos peixes. O texto foi republicado na Revista Pesca e Cia, na edição 121, de 2006, com algumas alterações e adequações para que pudesse se "enquadrar" no espaço impresso. Este texto, também, foi PLAGIADO e publicado na revista Pesca Esportiva, uns meses depois. Obviamente, sem a minha autorização. Sinal que o texto era bom!

Deixando a picaretagem e falta de ética de lado e para que o texto não se perca no tempo, resolvi reeditá-lo aqui com alguns acréscimos e outras informações.

Vamos começar, abordando um pouco da

Origem dos FlOAT TUBES.



A primeira referência histórica conhecida que se tem sobre a origem dos FLOAT TUBES nos remete ao Egito, por volta de 700 anos AC. Um "afresco" datado daquela época com um pescador sentado em uma espécie de bóia e pescando é a alusão mais antiga que se tem notícia sobre os float tubes.

Lendo um livro que trata da hstória da pesca com mosca, encontrei a  imagem que ilustra esta referência.

Na imagem é possível perceber que o pescador não está utilizando uma vara de fly ou qualquer outro caniço de pesca, mas sim uma "linhada de mão".

De fato, a historia nos revela que as bóias (float tubes) tiveram seu uso inicial como lazer. Exatamente como é utilizada hoje: em piscinas, lagos, na praia ou até mesmo no "BÓIA CROSS", muito antes da data sugerida na imagem. Como objeto de lazer, as referências são ainda mais antigas, entre 900 e 1000 anos AC.

Mas como acessório ou instrumento para a pesca, a foto nos dá uma noção de onde pode ter começado.

Mas naquela época não havia borracha, ou materias plásticos. Fico me perguntando de que material seriam esses flutuadores individuais???

Tentei ir atráz dessa resposta mas não encontrei (ainda) nenhuma informação à respeito disso.

As primeiras referências dos float tubes, no formato que conhecemos hoje surgem no final de 1800. A relação é direta com as primeiras patentes dos pneus de carro, que surgiram no início de 1800.

Os primeiros FLOAT TUBES eram exclusivamente em "O" e a imagem que segue da uma idéia de como eram fabricados.

A diferença fundamental para os modelos atuais é que os primeioros float tubes não eram infláveis e sim de borracha dura. Somente com o surgimento das câmaras de pneus e com a sua utilzação é que a coisa mudou. Hoje, os modelos mais modernos não se utilizam de borracha mas sim de Vinil.

Com a utilização do novo material, os modelos também foram se aperfeiçoando.

Os float tubes de hoje são muito mais leves e práticos do que os fabricados no início do século e permitem inclusive sejam acoplados diversos acessórios como veremos a seguir.


Na foto, podemos observar um modelo do inicio do século.

A bóia vinha revestida com "CANVAS", ou se preferirem, um lona feita a base de algodão. Claro que o tecido encharcado deixava o float tube muito mais pesado.

Somente na década de trinta, com a invenção dos "pés de pato", destinados ao mergulho, foram adicionados à locomoção pescadores que usavam o float tube. Antes usava-se um pequeno par de remos que podia ser acoplado ao próprio corpo do float tube.

Mas o que é o FLOAT TUBE?

Antes dessa explicação, vamos imaginar algumas situações.

Imagine uma região, como um lago, uma pequena represa, um riozinho de mangue onde a navegação com um barco motorizado seja proibida.


Imagine que nesse mesmo local existam diversas estruturas repletas de peixes que estes pontos são impossíveis de se chegar por terra, também.



Imagine agora, você chegando ao local, em silêncio, podendo explorar toda essa área.

Fazer seus arremessos bem próximos a estruturas quase no mesmo nível da água.


Com um float tube isso é possível.

Também conhecido como belly boat (bote de barriga), esse equipamento nada mais é que um tubo flutuador individual para pesca.

É composto por uma câmara de ar envolta em tecido (geralmente nylon ou lona), um assento e dois grandes bolsos ao longo dos braços dessa cadeira.


O encosto geralmente é formado também por uma ou duas câmaras de ar separadas.

A maioria dos modelos de float tube possui diversos anéis para prender outros equipamentos (um passaguá, uma corda, uma pequena corrente que pode servir de poita). E, para manter a linha de fly desenrolada fora do colo do pescador, é fixada uma rede ou tela de tecido na altura do apoio dos braços. Apresenta também duas presilhas para fixar a vara de fly.

Em vez de remos para navegar, o pescador utiliza nadadeiras ( pés de pato) calçadas sobre os tênis, ou botas (wading shoes ou de neoprene).

Com esse recurso, as mãos ficam livres para a pesca ou outra atividade, como a fotografia, e a observação de pássaros e animais.



Modelos e Performances

Existem diversos formatos de float tube.

Quanto ao formato, este pode ser fechado ou aberto.

O float tube fechado ou redondo segue os padrões mais antigos, podendo ser fabricado em borracha como as câmaras de pneus de carros ou caminhões, ou mesmo de vinil.

Já os belly boats com formato aberto, podem apresentar desenhos diferentes.

Os mais comuns são o modelo em “U” e o modelo em “V.


Mesmo com funções semelhantes e diferenças sutis, cada modelo tem suas peculiaridades e vantagens.

O modelo em “O”, geralmente é composto por uma câmara de ar de pneu de caminhão ou trator. Dessa forma caso aconteça um pequeno furo, qualquer borracheiro pode sanar o problema.


Nos modelos em “U” ou em “V” a câmara de ar é composta de outro material, uma espécie de plástico (vinil) bastante resistente. A válvula para inflar é também é diferente, exigindo uma bomba de ar específica.



Optar entre o tipo aberto ou fechado é o que determina a forma em que o pescador entra ou toma assento no float tube. No modelo em “O” é necessário que o pescador primeiro calce as nadadeiras e então “vista” o float tube (como quem veste uma calça ou bermuda).



Esse procedimento deve ser feito ainda no seco. Nos modelos em “U” e em “V”, simplesmente o pescador poderá tomar assento já dentro d’água. Uma barra de segurança presa à tela e ao assento evita que o pescador escorregue.

Quanto à navegabilidade, os modelos abertos possuem um deslocamento um pouco melhor o que o modelo em “O”. Esse pequeno ganho no rendimento pode ser compensado com a utilização de nadadeiras com pás mais longas.

O deslocamento sempre é feito empurrando a água para trás, semelhante ao movimento dos remadores olímpicos. As nadadeiras também são bastante úteis para mudar a direção e controle de velocidade do float tube quando a pesca for em local com influência de correnteza ou maré.



O pescador tem que ter em mente que o float tube não foi projetado para cobrir grandes distâncias. O equipamento funciona bem em lagos, pequenas represas ou açudes e alguns rios de mangues.



Outro aspecto importante é que o pescador ficará sentado com a cintura dentro d’água. É comum o uso de wader (macacão impermeável) que o mantém seco e com o corpo aquecido, evitando câimbras ou uma lesão na musculatura das pernas quando a temperatura da água for baixa. No verão pescar sem wader no litoral é muito agradável.



Situações Diferentes

No caso da pesca em pequenos rios de mangue, o pescador deverá estar atento ao movimento da maré, o que vai ajudar muito no seu deslocamento. Quando a maré estiver subindo é o momento do pescador subir o rio também.



A grande vantagem de se pescar com float tube é a aproximação silenciosa dos pontos de pesca e estruturas. Outra vantagem é que, por ter um deslocamento lento, pode-se explorar por mais tempo determinado local, conseguindo melhores resultados, além de se atingir pontos que seriam impossíveis com um barco.



Em lagos, a primeira coisa que o pescador deve observar é a direção do vento. Tentar ir contra, dificulta a locomoção e a parada nos melhores pontos de pesca. O segundo aspecto é por onde entrar e sair do lago.

Nos grandes, dependendo das distâncias entre as margens, uma travessia pode durar o dia todo. O pescador deve se certificar se há condições para que a saída seja numa margem segura.




Acessórios

Atualmente existem uma grande variedade de acessórios que podem ser acoplados aos float tubes com finalidades diferentes. Muitos desses acessórios são específicos para determinados modelos (dedicados), outros, entretanto, podem ser utilizados por qualquer tipo.

Vejamos alguns. 


O primeiro deles, é a bomba para inflar o Float Tube. O modelo mais indicado é o DOUBLE ACTION PUMP, nos casos dos float tubes de vinil, onde as válvulas são diferentes daquelas que vemos nas câmaras dos pneus de carros, esta bomba vem com um kit intercambiável de bicos, poendo ser utilizada em qualquer tipo de bóia.

Existem diversas marcas mas o príncípio sempre é o mesmo. Ela solta o ar tanto no movimento para cima como para baixo, daí a dupla ação. Na foto mais abaixo, podemos observar o Negão enchendo seu float, usando uma bomba de dupla ação.

Para os float tubes com válvulas semelhantes àquelas das câmaras de pneus, uma boa bomba é aquela elétrica, que pode ser utilizada quando ligada no acendedor de cigarros dos carros. Na falta desta, uma bomba de pneu de bicicleta pode quebrar o galho. Caso o pescador não tenha a bomba a solução é encher a bóia em um posto de gasolina próximo ao local da pescaria. A bomba é, na minha opinião, um acessório indispensável e facilita a vida, já que o float pode ser transportado vazio até o local da pescaria.

NADADEIRAS, "Pés de Pato", ou Fins.

Antigamente, antes do invento das nadadeiras, os float eram utilizados com um pequeno par de remos ou sem nada, o pescador ficava a deriva ao sabor da correteza. Com o surgimento, por volta da década de 30, os float tubes ganharam maior popularidade.

Qualquer nadadeira serve. O modelo ao lado, entretanto, é o mais indicado porque pode ser utilizado com uma bota de vadeio ou sapatilha de praia, ou até mesmo um par de tênis velho. É importante notar uma cinta acoplada à nadadeira para fixa-la na canela, com isso não se corre o risco de ter uma perda de uma delas. Este tipo de nadadeira funciona bem, inclusive porque se o pescador resolver pescar fora do float tube, a remossão é rápida.
 
POITAS E ÂNCORAS


Este é um acessório que gera muita confusão. As âncoras para float tube tem uma única e exclusiva função: a de manter o float estacionado em determinado ponto, quando o pescador resolver sair e pescar fora da bóia. Tenho lido, com certa frequência, especialmente nos "FORUNS ESPECIALIZADOS", que as poitas podem ser utilizadas com o float em movimento, para retardar sua movimentação em locais que sofram a influência de correnteza ou maré.

No meu modo de entender, isso é uma tremenda bobagem, provavelmente escrita por quem nunca usou uma poita nessas condições.


Alguns aspectos devem ser levados em conta. O primeiro deles é o Float Tube por si só tem um deslocamento bastante lento. O contrôle de velocidade é feito com as nadadeiras. O pescador deve acompanhar o fluxo da maré (em rios de mangue) e deixar-se levar.

Tentar "brigar" com a correnteza somente vai gerar um desgaste físico.

Usar uma poita nessa situação pode ser ainda pior, pois adicionou-se um peso extra (quanto deve pesar uma poita para oferecer essa dita resistência??) que em nada vai contribuir. Isso se a poita estiver a meia altura.


Se a poita estiver raspando o fundo e for de qualquer modelo com ponta (danforth, bruce, por exemplo) a consequencia é que o float vai parar e a influência da maré, nesta situação pode ser desastrosa. No float tube as poitas são acopladas em uma das laterais. Isto gera um desequilibrio na estabilidade da bóia quando fundeada.

Se coloque na situação de estar parado no meio de um rio com maré forte e seu float preso ao fundo. No mínimo, você não conseguirá pescar. Na pior das hipóteses, o float poderá virar.

Uma única função que vejo no uso da poita para float tubes é na pesca em lagos com molinetes ou carretilhas e pesca com iscas naturais. Isto faz algum sentido, pois não há influência de maré e a pesca é passiva. Mas aqui estamos trantando de fly e nesse sentido o uso da poita é absolutamente desnecessário.

Já se discutiu o uso de correntes para gerar mais peso e maior resistência. Não resolve se o peso da corrente for pequeno. Experimente carregar 4, 5 ou 6 quilos de corrente durante uma jornada de pesca. O melhor é pescar em um barco, numa situação como essa.

Na minha opinião, que é a da grande maioria de pescadores com mosca que se utilizam de float tube, a poita é inutil a não ser para manter o float apoitado, quando se pesca fora dele. O resto é papo furado de quem nunca pescou com float, nem com poita nem sem poita. Mas estou pronto para opiniões diversas, acho que o debate é saudável.     

ROD HOLDER

Um acessório também inútil são os "porta varas". Normalmente, os belly boats vem com algumas cintas de velcro que se destinam a fixar a vara de fly, fazendo com que o pescador fique com as mãos livres. Por si só isto já é suficiente. Na foto ao lado podemos observar um modelo destes porta varas. Totalmente dispensável para fly , mas com alguma utilidade quando o pescador estiver usando uma vara de espera.

Na foto abaixo, podemos observar o Jonas segurando uma truta marron do lago Cuhue Chico na Patagônia Argentina. Note que a vara está fixa às cintas de velcro deixando que pescador possa manusear o peixe tranquiamente enquanto é fotografado
 
    


MOTOR ELÉTRICO

Muito já se discutiu sobre o uso do motor elétrico acoplado aos float tubes. Obviamente que um motor elétrico permite ao pescador um deslocamento maior e mais rápido do que se usado apenas com as nadadeiras.

Se o pescador quer velocidade e distância, compre um barco. Um bass boat! O Float tube não foi feito para isso. O espírito, a essência da pesca embarcada num bóião (como diria o Beto Saldanha) é outro.

Outro ponto é que os adaptadores para elétricos são destinados e voltados, na maioria das vezes, aos pontoons e não para os float tubes. Há uma diferença entre este tipo de embarcação. Os adaptadores para float tubes são exclusívos para determinados modelos e não para qualquer um.  Não que o pescador não possa fazer a tradicional "gambiarra" para adequar o acessório ao modelo do seu  float, mas geralmente não vai funcionar adequadamente.

Na foto podemos observar o adaptador acoplado atrás do pescador. É importante notar que o deslocamento é feito da mesma forma que o pescador estivesse usando apenas as nadadeiras. Neste caso, o elétrico terá que se manter fixo em uma única direção (a barra de controle deve estar bem presa) e o pescador não terá muitas condições de observar a direção que o float está tomando. Ou seja: ou ele controla o elétrico ou ele pesca.

É possível notar também que este modelo é bastante específico - é o chamado pontoon light (um misto de float tube com pontoon).  Na foto abaixo podemos observar em detalhe como está acoplado o acessório.

Se você tem um float tube em "O", por exemplo, essa adaptação já ficaria totalmente comprometida. Mesmo em um modelo em "U" seria dificil a adaptação.




Portanto, entendo que os acessórios dos elétricos para o float tube são absolutamente desnecessários também. Imagine a situação anterior, em um rio de mangue com maré correndo, poita pindurada, motor elétrico, pé de pato, vara de fly... e torça pra não ter mutuca.  

Mas nem tudo está perdido! Um acessório que considero bastante útil são as cintas para transportar o Float quando este estiver cheio.


PACKSTRAP

As cintas, conhecidas como packstrap, são 4 presilhas fixadas em duas cintas que servem para carregar o float tube nas costas, quando o pescador estiver se deslocando por terra, por exemplo entre dois lagos ou retornando ao ponto de partida. Estas presilhas são fixadas aos anéis dos float tubes e podem ser carregadas como uma mochila.

Desta forma, o pescador poderá se locomover de forma mais rápida, ficar com as mãos livrese ganhar tempo entre um ponto de pesca e outro, pois não terá que esvaziar e encher novamente a bóia.

Estas cintas podem ser adapdas, um pedaço de corda, por exemplo, que sirvam como alças.

A foto ao lado ilustra bem o modelo do kit. Note que as presilhas são de engate rápido. Depois do transporte, basta retira-las e guardar dentro dos próprios bolsos do floa tube.    Na patagônia, em parques nos EUA, onde os pontos de pesca são mais distantes (não sendo permitido se chegar com um carro) e os pescadores tem que se deslocar a pé esta forma de transportar o float tube é bastante comum.



Vantagens e Desvantagens do Uso do Float Tube 

Após um levantamento com amigos pescadores adeptos da pesca com float tube, destacamos as principais vantagens do equipamento.

Pontos Positivos


1) É um equipamento muito seguro. Não existe registro com acidentes com uso de float tube. Mesmo que a câmara de ar fure, o tempo para que se esvazie é longo e o pescador tem condições de chegar na margem. Caso o pescador, mesmo assim, não se sinta seguro, ele poderá usar um colete salva vidas.


2) Consegue-se chegar a um ponto de pesca silenciosamente e, por ter um deslocamento lento, o float tube permite explorar as áreas por mais tempo.



3) O equipamento pode ser transportado vazio, já que é composto por câmaras de ar. Desta forma, ocupa pouco espaço (cabendo dentro de uma sacola) e sua montagem exige poucos minutos.


4) Por ficar bem próximo da água o pescador tem condições de executar arremessos por baixo de estruturas ou em locais que normalmente não se conseguiria arremessar com uma embarcação convencional.

Pontos Negativos


1) O deslocamento é lento, dificilmente se atinge grande áreas. As mudanças para locais de pescas distantes ficam comprometidas.


2) É uma pesca solitária. Muito embora usemos o float tube com amigos (prática recomendável). Uma foto de um peixe ou o auxílio do companheiro de pesca em algum momento da pescaria podem ficar comprometidos.

3) Não se recomenda o uso de float tube em locais com grande movimentação de embarcações. Nos EUA, há restrições para seu uso em algumas áreas e em outras é proibido. No Brasil, ainda não há uma regulamentação para o seu uso.


Qual Modelo comprar?

Existem no mercado (especialmente o norte americano) diversos modelos, com qualidade, acabamento e, principalmente, preços diferentes.

Você pode encontrar um bom float tube de U$70.00 até U$500.00! mas independente do preço alguns detalhes são importantes.

  • Cada float tube tem uma capacidade de ar. geralmente os modelos são destinados ou mais indicados ao peso do pescador. Certifique-se que aquele modelo que você pretende comprar está adequado ao seu peso.
  • Os modelos redondos tem um limite no diâmetro da bóia (quando cheio). Alguns pescadores ficam literalmente INTALADOS. Se optar por um modelo redondo, verifique o diâmetro da bóia (cheia). Lembre-se que você poderá estar usando um wader, agasalhos e isso aumentará a sua área. 
  • O Brasil tem (por enquanto) uma única empresa que fabrica float tubes em "O".      
A escolha do float tube é muito particular, pois cada pescador sabe da sua necessidade e do seu bolso. Posso afirmar, com certeza, que será um "parceiro" para uma boa parte de suas pescarias. E como parceiro a gente escolhe, escolha o que for melhor! No meu modo de entender, os modelos em "U" são melhores que os em "O", pela simples comodidade em tomar assento e por serem mais folgados. Fica aqui o pedido que a empresa brasileira que produz o float tente desenvolver um modelo em "U". Ou que um concorrente resolva entrar na parada...
 
Dicas Importantes

1) Sempre, antes de iniciar a pescaria, verifique se o float tube está em perfeitas condições.

2) Não encha a câmara de ar em excesso. Respeite a orientação do fabricante (geralmente vem marcada a capacidade de ar para cada modelo). Ar em excesso pode fragilizar o equipamento.

3) Não esqueça de carregar seu lanche e bebidas. É comum o pescador passar muito tempo em locais distantes e de difícil retorno. Lembre-se de levar repelente e uma bolsa estanque para máquina fotográfica. Ela mantém o equipamento protegido.

4) Evite carregar coisas em excesso. Leve apenas o necessário.

5) Todo Float Tube importado vem com um Kit de reparo. Carregue o seu em suas pescarias.



Fotos: Arquivo FLY CAST, JONAS F. DUARTE, SERGIO MARCHIONI, JOÃO EMILIO DE CASTRO, FERNANDO LUIS DE MACEDO - "NEGÃO".


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Se for copiar ou citar em algum FORUM DE PESCA, favor indicar a fonte (coisa dificil de acontecer nesse país e nesse "mercado").

Se for publicar em alguma revista "especializada", lembre-se que existem direitos autorais.


Xô picaretagem!

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*Publicado em 24 de novembro. Editado em 26 de novembro de 2009.